<$BlogRSDUrl$>

30/10/2003

Hoje sonhei... 

... com uma terra de sonho, em que a cor laranja do céu não era fogo, apenas um lindíssimo pôr-do-sol.



|

29/10/2003

Os fogos de San Diego: dias 2 e 3 

A fúria do fogo contínua a devorar mato e casas no condado de San Diego. Uma página que ilustra a destruição ocorrida é esta.

Dia 2: 2ª feira e a cidade parecia uma cidade fantasma. Na rua não se via nem ouvia ninguém. As ordens eram para ficar em casa e reduzir ao máximo o consumo de água e electricidade. Como mal preguei olho de Domingo para 2ª, aproveitei para ir dormindo nos intervalos dos telefonemas feitos de Portugal a perguntar se estava tudo bem comigo. Entretanto, a frente que estava mais próxima do sítio onde moro foi completamente extinta, o que foi um enorme alívio. Na rua continuava a cheirar a queimado, mas já se conseguiam ver bocadinhos de céu azul.

Dia 3: 3ª feira, primeiro dia de regresso ao trabalho desde os inícios dos fogos de San Diego. Por pouco tempo. Mesmo com sistemas de ventilação super modernos, o cheiro dentro dos laboratórios era insuportável, mal conseguia respirar. Preparei o que tinha a preparar, e duas horas depois de ter chegado voltei a sair, entretanto equipada com uma máscara daquelas que se usavam nos tempos da SARS. Na rua o cenário continuava apocalíptico, com o sol vermelho a perfurar nuvens de fumo densas, enquanto os tons castanhos e cinzentos e laranjas e vermelhos do céu assombravam a cidade. Às duas da tarde parecia noite. Entretanto Julian, a cidade das macãs, foi evacuada. Espero que isto acabe depressa :(

|

27/10/2003

San Diego on fire 



Em San Diego County vivem-se horas de pânico e de terror. Desde as 3h da manhã de Domingo que lavram diversas frentes de fogo. Ao início eram três. Os ventos fortes, a florestação seca e as casas de madeira fizeram com que as frentes sejam agora pelo menos oito. Neste momento arderam mais de 50 mil hectares de mato e mais de 300 casas. O fogo está a aproximar-se a passos largos para oeste.

De manhã quando acordei o cenário era dantesco. O céu estava cinzento e castanho, coberto por uma espessa camada de fumo e cinzas; o sol avermelhado, como se chorasse lágrimas de sangue pelas casas que via arder; o chão, as varandas, a água da piscina e mesmo as nossas roupas estavam cobertas por cinzas que caiam do ar. O cheiro a queimado asfixiava e chamava a atenção de que o fogo devia estar bastante perto. Contudo, não se viam grandes movimentações. Não fosse o resto e até parecia ser um Domingo normal.

Passei o dia fechada em casa a ver televisão, a assistir impotente à destruição de casas, algumas verdadeiras mansões. Vidas e heranças destruídas em poucos minutos por aquelas massas de fogo furiosas. Os conselhos transmitidos pela televisão foram de verdadeiro serviço público: "não consuma água que não a essencial", "não tenha gastos de energia que não os necessários, para TV e frigorífico", "mantenha as portas e janelas de casa fechadas", "se lhe foi dada ordem para evacuar, diriga-se a ...", " se tem animais e teve de evacuar a sua casa, pode deixá-los em ....", "as autoestradas I15, I52, I805 estão fechadas", "o Major sugere aos empregadores que amanhã mantenham os negócios encerrados".

O cenário continua dantesco e parece que assim irá continuar mais uns dias. Apesar do fogo estar apenas a uns 7 Km da minha casa e de eu estar na direcção e sentido em que o fogo tem alastrado, tudo me leva a crer que estou aqui segura. As próximas horas o confirmarão.

|

24/10/2003

Count down: faltam 31 dias 

Daqui a precisamente um mês estarei a voar em direcção a Lisboa, com um nó na garganta, enquanto rebobinarei mentalmente os acontecimentos que marcaram os últimos 9 meses da minha vida. Na memória estarão nove meses intensos de experiências e lugares novos, numa cidade fabulosa, num país que tem de tudo para nos oferecer. Começarei por pensar na frase profecticamente falsa "It never rains in San Diego", que me disseram no já tão longínquo dia 10 de Fevereiro de 2003, quando aterrei no Aeroporto Lindbergh. Depois, lembrarei a chuva dos primeiros dias enquanto não tinha carro e procurava casa a pé, e as formigas com quem partilhei os meus primeiros cereais, pagos a preço de ouro nessa catedral das compras chamada Ralphs. Lembrarei a casa, a empresa e os amigos deixados, lembrarei a Igreja Mormon que todos os dias assinalava o desvio de saída da auto-estrada, lembrarei as praias e os pôr-do-sol de La Jolla e Pacific Beach que acalmavam a alma num "adeus, amanhã cá estarei novamente", lembrarei os sushi e os burritos que tão farta me deixaram de comida japonesa e mexicana. Lembrarei todos os bocadinhos aqui passados, as molhas do Shamu, as maçãs de Julian, a imensidão do Grand Canyon. E vou com a memória cheia das cidades que visitei: New York, Washington DC, New Orleans, San Francisco, Las Vegas e Los Angeles, cidades que me encheram com a coragem e certeza de que um dia voltarei. Muito ficou por ver e fazer, mas é sempre assim.

Partirei com um nó na garganta e sei que as lágrimas teimarão em cair. Mas sei que do outro lado do oceano estarão aqueles que as saberão secar.

|

22/10/2003

Blogs por emails 

Não, não caiu nenhum avião em cima de mim, apenas um pouco mais de trabalho do que é habitual. Acontece que o tempo que antes dedicava a escrever para o Blog, tem sido usado nos últimos dias para responder a emails de pessoas interessadas em comprar todo o recheio da minha casa aqui em San Diego. Para esta tarefa complicada, tenho contado com a ajuda preciosa de um site muito útil chamado Craigs List. Até agora muitas propostas mas poucas vendas :(

Já sabem, se conhecerem alguém em San Diego que queria comprar um carro, deêm-lhe a minha morada!

|

17/10/2003

Pelos céus de San Diego 



Seis meses depois, voltei a sentir o receio que senti aquando da Guerra no Iraque. Ontem e hoje, os céus de San Diego voltaram a ser sobrevoados por F-18 do esquadrão Blue Angels, F-117, e outros com aspecto de fazerem parte do meu imaginário de ficção científica. Ao longo do dia, várias são as vezes que sinto tudo a estremecer, após milimétricas razias ao edifício onde trabalho. Ao barulho ensurdecedor juntam-se manobras magníficas, e nuvens de fumo desenhadas artisticamente pelo rasto da passagem.

Finalmente, percebi o que se passava: desta vez não são exercícios de guerra, apenas um festival aéreo a decorrer a pouco mais de 3 quilómetros daqui. Com manobras de outro mundo! Tentarei ver mais no fim-de-semana.

|

15/10/2003

O meu primo Simão 



Hoje nasceu o meu primo Simão. É com muita pena minha que não poderei estar presente nos primeiros dias da vida dele, nem felicitar entusiasticamente os papás babados. É nestas alturas que custa estar tão longe, e se compreende bem que estar a 16 horas de vôo de casa é MUITO diferente de estar na Europa, a apenas ~ 3 horas da família e amigos.

As Maiores Felicidades do Mundo para o Simão e para os seus papás.

|

14/10/2003

Coisas de que vou ter saudades 

O português é especialista em ter saudades. Quando está longe de casa tem saudades da família, dos amigos, do café, da açorda e das sardinhas. Saudades da cidade, das ruas e lugares, dos cheiros e das cores. Tem saudades dos sítios do dia-a-dia, do cão do vizinho e do caminho que todos os dias percorria. E tem ainda saudades de passar por onde se podem matar saudades de outras saudades.

Já aqui por diversas vezes deixei expresso este sentimento que me está nos genes. Mas hoje um novo tipo de saudades se apoderou de mim: as saudades por antecipação. Saudades das coisas que aqui faço, e que nunca mais farei. Saudades das coisas que aqui tenho, e que nunca mais terei.

Aqui tenho o sol e o calor o ano inteiro, tenho os desertos, as montanhas e o mar, tenho locais de uma beleza tão grande que por vezes me fazem chorar. Tenho supermercados com quinhentos mil produtos parecidos por entre os quais posso escolher, tenho mil lojas por onde procurar aquilo que mais gosto. Em termos materiais, aqui está tudo o que posso precisar e mais algumas coisas que ainda não percebi para que poderão servir.

E há aquelas coisas que nunca mais farei. Hoje, por exemplo, cheguei a casa às seis e meia da tarde, já noite. Vesti o fato de banho e fui para a piscina do condomínio, ao ar livre mas com água aquecida. Levei os óculos de snorkling que ontem comprei, já a pensar nesse último grande fim de semana de passeio que vem a caminho, algures numa praia do Pacífico, por alturas do Halloween. E hoje, ali estava eu, sob o céu e as estrelas, a nadar, mas com Alma de Pássaro.

|

13/10/2003

Kill Bill 

=
+ +

Ontem fui ver o Kill Bill, 4º filme do mestre Tarantino, que estreou há 4 dias nos EUA e é já um estrondoso sucesso. Kill Bill é a história de uma vingança servida a frio, num filme repleto de acção e violência, mas com um sentido estético que nos surpreende em cada cena. Personagens brilhantes, interpretadas magnificamente por todos, com Uma Thurman (a eterna musa de Tarantino) e Lucy Liu (The Charlie's Angels) em grande. Pelo meio muitas são as surpresas que o Tarantino preparou...

|

12/10/2003

Errata ao post Schwarzenegger ao Poder! 

Após chamada de atenção do Gasel, e ao contrário do que escrevi no post "Schwarzenegger ao Poder!", o Arnoldinho não é o primeiro actor a ser eleito Governador da Califórnia, mas pelo menos o segundo. O primeiro terá sido Ronald Reagan (nos anos 1967-1975). Aqui pode ser consultada a lista de todos os governadores deste estado norte-americano.

|

10/10/2003

Experiência pré-traumática 

Hoje tive a minha primeira experiência traumática pré-regresso-a-Portugal! O choque foi tal que confesso que fiquei com medo de nunca mais me conseguir voltar a adaptar à realidade portuguesa.

Habituada que estou a telefonar para um qualquer serviço americano e ter um atendimento simpático, eficaz e demonstrador de respeito pelo cliente (como me parece lógico que aconteça em qualquer economia de livre concorrência), hoje tive de telefonar para uma Fundação portuguesa, organismo do Estado, e minha futura entidade financiadora. Acordei mais cedo para conseguir apanhar alguém às 15h, "plena hora de trabalho" pensei. Primeira tentativa. Trim, trim... trim, trim....trim, trim... Nada. Passados dois minutos resolvi desligar. Segunda Tentativa. Trim, trim... trim, trim... trim, trim... Desta vez decidi esperar. Ao fim de três minutos, alguém atendeu. "Boa tarde, gostaria de falar com alguém dos Recursos Humanos", "Só um momento" respondeu uma senhora com voz chateada por eu ter interrompido algo muito mais importante como a leitura da Nova Gente, no exacto momento em que iria ficar a saber se a Jennifer Lopez voltaria a casar com o Ben Affleck. Rapidamente me passou a chamada. Novamente, trim, trim.... trim, trim.... trim, trim... Dois minutos depois uma voz responde "Aguarde" e eu "Ah?!" e a voz "Aguarde". E pronto, lá aguardei. Desta vez foi rápido. Um minuto volvido apareceu outra senhora, também com voz de poucos amigos por ter de falar ao telefone com alguém desconhecido. A conversa não vou reproduzir, mas as respostas pouco mais foram do que "não sei", "essa não é a minha responsabilidade", "ninguém lhe irá responder, tem de aguardar". Fiquei sem perceber porque dão este telefone como número a telefonar em caso de serem necessários esclarecimentos. E pensar que esta será a entidade que irá pagar o meu "subsídio de sobrevivência" nos próximos anos...

|

Palavras similares 

Amostra condensada de gaffes ditas ou ouvidas:

- Ana, deixa-me introduzir-te o Jeff
- Não tinha realizado que ele era tão giro ;)
- :)
- Hi Jeff, are you Su's new company?
- I'm Su's friend. And actually, we met at work. Nice to meet ya'.
- Nice to meet you. I've heard you're constipated. Are you feeling better?
- Constipated ???!!!! No, it's just a cold.
- Feeling cold? Oh, I'm feeling so hot!
...

Nota: Todas as personagens e situações são pura ficção. Qualquer semelhança com a realidade será pura coincidência.

|

09/10/2003

Novas cores no Blog, e um Poema. 

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Luíz de Camões, in Edição de Lobo Soropita (1595)

|

08/10/2003

Schwarzenegger ao Poder! 

Hoje foi um dia histórico aqui por Terras do Tio Sam: para além de, pela primeira vez, um actor ter sido eleito Governador do Estado norte-americano onde a indústria cinematográfica domina, ficámos a saber que nos próximos anos o Estado antes conhecido por Califórnia passará a chamar-se Cauifórnia.

Agora já só se comenta "Schwarzenegger a Presidente!!!"

|

07/10/2003

Terminator 4: À Conquista da Califórnia 



Será Schwarzenegger capaz de fazer ainda o Terminator 4? Logo saberemos...

|

06/10/2003

Postal de San Francisco 



Este fim-de-semana fui a San Francisco passear. Foram só dois diazitos, mas bem preenchidos. Fui a Alcatraz, ao Pier 39 (que festejava o dia do seu 25º Aniversário), andei a pé pelo sobe-e-desce daquelas ruas, Chinatown, Little Italy, Union Square, Embarcadero, Yerba Gardens e Castro. Muitos dos sítios que ficaram por ver desta vez já os tinha visto há dois meses atrás, quando lá fui pela primeira vez. O San Francisco Museum of Modern Art terá de ficar para a próxima, já que a fila quase dava a volta ao edifício.

Estar em San Francisco foi sentir-me por dois dias mais próxima de Lisboa. A Golden Gate a lembrar a Ponte 25 de Abril quer fisicamente quer na geografia circundante; a cidade compacta, por onde nos podemos deslocar a pé; as colinas com as suas muitas subidas e descidas; o frio e o sol (que falta faziam ali umas castanhinhas assadas!); o eléctrico a subir a tapada. E nem faltou o bife com batatas fritas e ovo a cavalo acompanhado por uma Sagres, e um arroz doce para sobremesa! E a bandeira portuguesa, em pleno Union Square!

Cada vez mais, tudo parece um prelúdio do regresso a Lisboa, que está para breve, antes da partida para Copenhaga.

|

03/10/2003

Cores Outonais 



O Outono chegou a San Diego, e com ele estas cores que me fazem lembrar o meu próximo vôo: a Dinamarca.

|

02/10/2003

Cabrillo - Apontamento histórico 

Na sequência do post Cabrillo, de 29 de Setembro, podemos encontrar n' Os Meninos de Ouro um apontamento histórico sobre a vida de João Rodrigues Cabrilho (ou do pouco que se sabe dela) e sobre as primeiras explorações da costa oeste do continente norte-americano pelos europeus.

Seria bom se os representantes de Portugal que venham no futuro às Celebrações de Cabrilho se informassem minimamente acerca deste facto da história. É que foi doloroso ouvir da boca de um Almirante da Marinha Portuguesa que Cabrilho chegou a San Diego antes de Vasco da Gama chegar à Índia...

|

01/10/2003

Homo Tuga Americanensis 

Neste texto é identificada e caracterizada a sub-espécie Homo Tuga Americanensis, estirpe san-dieguense. Esta estirpe habita a região sudoeste do continente norte-americano, sendo mais comum em localidades próximas de água, nomeadamente em San Diego (onde abundam as baías e penínsulas, aumentando assim o comprimento da costa marítima e, logo, a propensão para a instalação da espécie neste local).

A sub-espécie Homo Tuga Americanensis estirpe san-dieguense é muito semelhante às sub-espécies Homo Tuga Franciusensis, Homo Tuga Suicensis, Homo Tuga Luxemburguensis, Homo Tuga Germanensis e Homo Tuga Canadiensis, sendo no entanto mais antiga. Calcula-se que tenha divergido de Homo Tuga sp. algures entre 30 a 80 anos atrás. Talvez por isso, é uma espécie relativamente bem adaptada ao seu novo habitat, conseguindo frequentemente impôr-se às espécies locais. Os representantes desta estirpe conservam no entanto hábitos e manias que os permitem identificar como membros inequívocos da espécie Homo Tuga.

Algumas características:
(to be continued, eventually)

|

Lilypie Baby Ticker

Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com

This page is powered by Blogger. Isn't yours?