29/09/2003
Cabrillo

Juan Rodriguez Cabrillo (ou João Rodrigues Cabrilho, se assim preferirem), navegador português (dizem) ao serviço da Coroa Espanhola, chegou pela primeira vez à costa oeste do continente norte-americano no longínquo ano de 1542. No local que se pensa ter sido o da sua chegada, em San Diego, foi criado o Cabrillo National Monument e aí erguido um padrão em sua homenagem (oferecido pela Marinha Portuguesa).
Ontem fui às festas de comemoração da chegada de Juan Rodriguez Cabrillo a San Diego. Desde há 40 anos que, todos os anos, se festeja este acontecimento no último fim de semana de Setembro, numa festa conjunta das comunidades portuguesa, espanhola, mexicana, índia e San-dieguense. É interessante ver como a cultura portuguesa está em força naquele local; até brochuras em português (de Portugal!) existem disponíveis.
Ontem tive a sorte de acompanhar a comitiva oficial em muitos dos acontecimentos. O mais alto representante de Portugal era um alto posto da Marinha Portuguesa. O mais alto representante de Espanha foi o Embaixador de Espanha nos EUA. Em anos anteriores costumavam estar presentes membros do Governo português. Este ano, certamente devido à crise (ou a Congressos mais importantes), ninguém do Governo apareceu. Já para não falar de nenhum jornal, rádio ou televisão portuguesa, a quem o acontecimento não interessará, decerto, por não poder resultar em escândalo nacional.
Eu própria não teria sabido deste acontecimento se não tivesse sido uma americana a dizer-me. E ainda bem que assim foi. Que bem que me soube o pão com linguiça e que orgulho foi ver os americanos vibrarem com folclore. Acho que fui decididamente atingida pelo espírito de Emigrante!
26/09/2003
Internet: Passado e Futuro
A Internet já tem História. Alguém achou importante criar uma biblioteca electrónica para guardar todos os sites de Internet e todas as modificações que neles foram sendo feitas. Claro que a tarefa é herculiana, e por isso nem todos os sites lá podem ser encontrados, nem o registo é muitas vezes tão bom como gostariamos. Mas o que está a ser feito não deixa de ser extraordinário.
Por outro lado, o meu amigo Ricardo Melo, no seu Blog Coisas de um Tuga Alentejano, refere um site de onde se podem enviar mensagens de email para serem entregues no futuro. Tão interessante quanto assustador!
Por outro lado, o meu amigo Ricardo Melo, no seu Blog Coisas de um Tuga Alentejano, refere um site de onde se podem enviar mensagens de email para serem entregues no futuro. Tão interessante quanto assustador!
25/09/2003
Internet: o Presente
Como todos os que me conhecem sabem, sou uma viciada na Internet. Desde Setembro de 1997 que todos os dias navego pela net. Todos os dias não, porque há sempre aqueles angustiantes dias de férias em que é impossível aceder à rede; ao início é doloroso mas, passada a ressaca, sabe bem estar longe do mundo, sem sabermos nada do que se vai passando, longe das preocupações do dia-a-dia (coisas que na realidade não são assim tão importantes).
Atrai-me a ubiquidade da Internet, o mundo inteiro estar acessível a todos, a toda a hora, a todo o instante, em (quase) todos os lugares. Fascina-me a facilidade de acesso a toda a informação que procuro, o partilhar informações com os outros, o comunicar quase instantaneamente com quem preciso, quando preciso. Tudo à distância de um ponto de rede e de um click.
Aqueles que usam a Internet no seu dia-a-dia fazem hoje parte de uma "Geração Internet", uma comunidade global de verdadeiros cidadãos do mundo. A Internet teve esse dom inigualável de aproximar o mundo, de quebrar barreiras geográficas, e de começar a quebrar outras barreiras mais complexas do que as geográficas.
Actualmente, com a crescente utilização de mailing lists, foruns e blogs, a Internet tem-se tornado cada vez mais um espaço de afirmação individual e um espaço para troca de ideias, trabalhos e informações entre grupos de pessoas. Expôr opiniões e comunicar está na ordem do dia.
Esta é a Era da Comunicação. A Era da Internet. A Era em que a Informação corre o Mundo a uma velocidade vertiginosa que nos assusta nas curvas e contracurvas. Amigos, metam os capacetes e apertem os cintos. Há que estar preparado para sobreviver às enormes travagens e acelerações que, a qualquer minuto, podem acontecer neste mundo cada vez mais global.
Atrai-me a ubiquidade da Internet, o mundo inteiro estar acessível a todos, a toda a hora, a todo o instante, em (quase) todos os lugares. Fascina-me a facilidade de acesso a toda a informação que procuro, o partilhar informações com os outros, o comunicar quase instantaneamente com quem preciso, quando preciso. Tudo à distância de um ponto de rede e de um click.
Aqueles que usam a Internet no seu dia-a-dia fazem hoje parte de uma "Geração Internet", uma comunidade global de verdadeiros cidadãos do mundo. A Internet teve esse dom inigualável de aproximar o mundo, de quebrar barreiras geográficas, e de começar a quebrar outras barreiras mais complexas do que as geográficas.
Actualmente, com a crescente utilização de mailing lists, foruns e blogs, a Internet tem-se tornado cada vez mais um espaço de afirmação individual e um espaço para troca de ideias, trabalhos e informações entre grupos de pessoas. Expôr opiniões e comunicar está na ordem do dia.
Esta é a Era da Comunicação. A Era da Internet. A Era em que a Informação corre o Mundo a uma velocidade vertiginosa que nos assusta nas curvas e contracurvas. Amigos, metam os capacetes e apertem os cintos. Há que estar preparado para sobreviver às enormes travagens e acelerações que, a qualquer minuto, podem acontecer neste mundo cada vez mais global.
22/09/2003
Americanices
Vivo há 7 meses em San Diego, nos EUA. Quer se goste quer não, este é o país das oportunidades, o país onde tudo é simples (tirando o complicado, mas enfim), o país onde tudo está preparado para que qualquer pessoa possa fazer as coisas como deve ser. Aqui vão alguns factos curiosos:
1. Nas embalagens de pensos higiénicos distribuídas na casa de banho das senhoras da empresa onde trabalho, um aviso não permite que alguém se engane: "HOW TO USE: Remove paper backing and press firmly into panties"! Se não fosse este aviso... :)
2. Em Portugal é-nos familiar a imagem do engraxador de sapatos, a polir o brilho ao sapato mais elegante. Nos Estados Unidos é-me familiar a imagem do engraxador de ténis brancos! E não é que ficam mesmo brancos como novos?!
3. A empresa pagou-me um curso de Programação em Perl na Universidade da Califórnia em San Diego. Aula de Perl, 17h30, chega o Professor (vestindo calças de surfista e boné, como de costume). "Estou com fome, quem vai numa Pizza?" pergunta. Braços no ar, dinheiro contado e uma hora mais tarde lá entra o homem da Pizza pela sala dentro! E pronto, "intervalo"!
4. Algures na Califórnia, perto do deserto de Joshua Tree, uma placa na autoestrada anuncia "Próxima saída: Prisão Estatal da Califórnia". Um pouco mais à frente, um sinal prudente avisa "Por favor nao dê transporte a pessoas que estejam a pedir boleia nesta zona"! Eles é que sabem... mais vale prevenir que remediar!
As saudades que eu vou ter desta terra!
1. Nas embalagens de pensos higiénicos distribuídas na casa de banho das senhoras da empresa onde trabalho, um aviso não permite que alguém se engane: "HOW TO USE: Remove paper backing and press firmly into panties"! Se não fosse este aviso... :)
2. Em Portugal é-nos familiar a imagem do engraxador de sapatos, a polir o brilho ao sapato mais elegante. Nos Estados Unidos é-me familiar a imagem do engraxador de ténis brancos! E não é que ficam mesmo brancos como novos?!
3. A empresa pagou-me um curso de Programação em Perl na Universidade da Califórnia em San Diego. Aula de Perl, 17h30, chega o Professor (vestindo calças de surfista e boné, como de costume). "Estou com fome, quem vai numa Pizza?" pergunta. Braços no ar, dinheiro contado e uma hora mais tarde lá entra o homem da Pizza pela sala dentro! E pronto, "intervalo"!
4. Algures na Califórnia, perto do deserto de Joshua Tree, uma placa na autoestrada anuncia "Próxima saída: Prisão Estatal da Califórnia". Um pouco mais à frente, um sinal prudente avisa "Por favor nao dê transporte a pessoas que estejam a pedir boleia nesta zona"! Eles é que sabem... mais vale prevenir que remediar!
As saudades que eu vou ter desta terra!
Three Cairns
Escultura de Andy Goldsworthy, à entrada do Museum of Contemporary Art San Diego
As outras duas cairns estão uma no Des Mointes Art Center (Des Moines, Iowa) e outra no Neuberger Museum of Art (Purchase, New York).
21/09/2003
Blogs Amigos
Um novo blog acrescentado hoje à lista foi o Os Meninos de Ouro, do meu amigo João Ricardo (co-autor), onde ele irá partilhar o seu "amor pelos livros, pela História, pelas ideias, pelas polémicas e, acima de tudo, pela liberdade e por Portugal". Um blog que irei seguir com atenção e curiosidade, escrito por jovens com bastante "bagagem" e com uma visão muito própria do país e do mundo. Os maiores sucessos para Os Meninos de Ouro.
18/09/2003
Feira Popular de Lisboa - o Adeus
Soube hoje (apenas) que a Feira Popular de Lisboa vai encerrar definitivamente no final do mês de Setembro de 2003. Há já quatro anos pelo menos que não vou à Feira Popular, e a última vez que fui deve ter sido num daqueles jantares etílicos no início do Técnico. Mas muitas foram as vezes que lá fui e muitos os acontecimentos que ali celebrei. Foi assim com uma enorme tristeza que hoje soube que ia morrer mais um espaço que fez parte de importantes momentos da minha vida. Com esta "morte", muitas das minha memórias esvanir-se-ão, porque deixarão (irreversivelmente) de ser alimentadas.
Senhoras e senhores, meninas e meninos, o espectáculo vai acabar. Enquanto as luzes das diversões e o cheiro das farturas permanecerem no ar, façam o favor de lá ir e de dizer um Adeus por mim.
Beef Jerky, especialidade norte-americana
Rita, já provei!... o sabor não é mau de todo, o pior é a textura :( Enquanto tentava comer só me lembrava daquele filme Alive (1993), de Frank Marshall (e com Ethan Hawke!)... Sobre a história verídica de um avião com uma equipa de rugby do Uruguai que se despenhou nos Andes...
Para quem não conhece, Beef Jerky é uma carne seca que os americanos adoram. Uma coisa algures entre o presunto e a carne assada (cozinhada há duas semanas)...
16/09/2003
Fear Factor
Ontem foi dia de Fear Factor! Este programa da NBC é um dos programas mais vistos nos EUA, mas, ao contrário de outros, os seus concorrentes não se tornam ídolos (efémeros) da sociedade norte-americana. Talvez porque as provas que têm de superar, ao contrário do usual, são provas que repugnam quem os vê. Não deixa, assim, de ser curioso o seu enorme sucesso.
A receita: 6 concorrentes jovens e bonitos, com os dois géneros igualmente representados; 3 provas a ultrapassar sequencialmente, sendo que à falha de uma se é eliminado; um prémio monetário apetecível para o vencedor.
As provas: 1ª) resistência física, 2ª) resistência psicológica (e estomacal!); 3ª) resistência física+psicológica.
A 2ª prova costuma ser o momento alto da noite, geralmente com "maravilhosas" receitas culinárias à espera dos concorrentes. Ficam aqui algumas das provas, a título de curiosidade:
Fear Factor Spaghetti: um delicioso prato cheio de minhocas e sangue coagulado.
Útero de Porco: deliciosa parte do porco, tom rosa, a fazer lembrar couve-flor.
Rat Hat: (imagem no topo deste texto) agradável momento de partilha com simpáticos mamíferos roedores. Para tornar o contacto mais agradável, apenas a cabeça está exposta aos ditos animais.
Pig Rectum: mais uma deliciosa parte do porco, recto e ânus constituirão certamente um dos maiores prazeres gastronómicos dos concorrentes deste programa.
Curiosamente, tudo isto é aprovado pela USDA (United States Deparment of Agriculture).
Uma pergunta se inquieta na minha cabeça: apesar da evolução para sociedades cada vez mais civilizadas e urbanas, o Homem continuará sempre a sentir a necessidade de mostrar instintos animais, predadores e conquistadores? O que motiva a existência e sucesso deste programa? As respostas que me passam pela cabeça não são animadoras...
15/09/2003
The Bedroom (van Gogh)

Tenho saudades do meu quarto. Do meu espaço. De me sentir perto das lembranças que dão sentido à minha vida. Dos cheiros e das cores. Das paredes tapadas por armários e quadros que eu escolhi a dedo. Da desarrumação onde apenas eu encontro arrumação. Dos meus livros e papéis, espalhados por todo o lado. Das minhas medalhas, que me enchem o ego de vitórias e conquistas. Da minha viola cujo som me alegrava sempre os dias mais tristes.
Tenho medo de esquecer isto tudo. É que a ausência ajuda a apagar a memória. E já lá vai um ano e meio por este mundo fora.
Poema de Sophia de Mello Breyner
Meditação do Duque de Gandia sobre a morte de Isabel de Portugal
Nunca mais
A tua face será pura limpa e viva
Nem o teu andar como onda fugitiva
Se poderá nos passos do tempo tecer.
E nunca mais darei ao tempo a minha vida.
Nunca mais servirei senhor que possa morrer.
A luz da tarde mostra-me os destroços
Do teu ser. Em breve a podridão
Beberá os teus olhos e os teus ossos
Tomando a tua mão na sua mão.
Nunca mais amarei quem não possa viver
Sempre,
Porque eu amei como se fossem eternos
A glória, a luz e o brilho do teu ser,
Amei-te em verdade e transparência
e nem sequer me resta a tua ausência,
És um rosto de nojo e negação
E eu fecho os olhos para não te ver.
Nunca mais servirei senhor que possa morrer.
Sophia de Mello Breyner Andresen, in Obra Poética II (1991)
Nunca mais
A tua face será pura limpa e viva
Nem o teu andar como onda fugitiva
Se poderá nos passos do tempo tecer.
E nunca mais darei ao tempo a minha vida.
Nunca mais servirei senhor que possa morrer.
A luz da tarde mostra-me os destroços
Do teu ser. Em breve a podridão
Beberá os teus olhos e os teus ossos
Tomando a tua mão na sua mão.
Nunca mais amarei quem não possa viver
Sempre,
Porque eu amei como se fossem eternos
A glória, a luz e o brilho do teu ser,
Amei-te em verdade e transparência
e nem sequer me resta a tua ausência,
És um rosto de nojo e negação
E eu fecho os olhos para não te ver.
Nunca mais servirei senhor que possa morrer.
Sophia de Mello Breyner Andresen, in Obra Poética II (1991)
